Ps: guardei "seu" Osvaldo no meu caderninho de personagens. Já, já coloco outro texto sobre ele neste blog.
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Um baobá de sabedoria
Ps: guardei "seu" Osvaldo no meu caderninho de personagens. Já, já coloco outro texto sobre ele neste blog.
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Desafio verde


Encontrei essa cena quando visitei nesta semana a Escolinha de Futebol do Nel, no bairro de Várzea Fria, em São Lourenço da Mata. A iniciativa treina 120 meninos voluntariamente. Fora do campo, um cidadão desafiou outro a plantar uma árvore. A princípio dois desafetos, eles se uniram nesse propósito verde. Quem ganhou foi a comunidade. Quando crescerem, as espécies vão, no mínimo, colocar sombra no campinho de futebol do município escolhido para ser subsede da Copa do Mundo de 2014. Esse sim um desafio danado, que precisa dar bons frutos à cidade, certo?
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segunda-feira, 25 de maio de 2009
Jogo de damas

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Polícia vira-lata
- Moça, tem umas nove crianças aqui, mais uns 23 adultos e uns cachorros, que já eram da gente ou então se juntaram no meio do caminho.
- (olhei em volta da quadra da escola e vi, por baixo, uns seis vira-latas).
- A senhora sabe que cachorro é polícia de pobre, né?
A foto é de Alcione Ferreira, que me acompanhou em Caruaru.
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segunda-feira, 18 de maio de 2009
Os cães ladram e a caravana passa
Conheci o Maestro Givanildo na Bomba do Hemetério. Eu procurava olhar o carnaval do que chamamos de "periferia". Pois bem, desse terreno fertilíssimo, criativo e inquieto da zona norte do Recife, ele sacou uma ideia, no mínimo, louvável. Criou a Caravana de Luz Cultural. A iniciativa tem, segundo ele, a "missão de distribuir saberes e trocar conhecimento nas mais diversas linguagens". Viajam pelos municípios do interior de Pernambuco atores, dançarinos, pintores, cantores, filósofos, pesquisadores, poetas, maestros, professores e estudiosos. O negócio é doar o que cada um tem. Quem de nós faz isso? Na caravana, todo mundo vai de graça, pelo simples exercício da solidariedade e pela tranquilidade responsabilidade social. Coisa de gente corajosa e desapegada mesmo, viu? De cada prefeitura visitada, os caravaneiros recebem apenas a guarida e o transporte. É só chamar. Que tal oferecer o seu saber? Para isso e mais informações, deixo aqui o email do Maestro Gil (givanildo.amancio@gmail.com) e o site da iniciativa (www.caravanadeluzcultura.blogspot.com).
As próximas paradas da caravana são: Capoeiras (de 22 a 24 de maio) e Caetés (de 5 a 7 de junho).
Ps: deixo aqui o testemunho do pessoal da cidade de Tabira.
http://www.prefeituratabira.com.br/index.php?exibir=noticias&ID=16
quinta-feira, 14 de maio de 2009
Introdução
O texto publicado logo abaixo, a que dei o título de Relato da dor, não é meu. É de Adriana Ataíde. Não a conheço (ao menos, não pelo nome). Ela enviou um email, contando o que passou em 2007. Quase morreu. Tentou fugir de um assalto ("uma reação instintiva de sobrevivência", como ela conta) e foi ferida na cabeça. Aconteceu bem perto do local onde, ontem (13 de maio), morreu o professor de inglês Igor Duque, de 28 anos. Talvez ela tenha lido, junto com a notícia do homicídio, o meu endereço eletrônico no jornal. Mas não é isso que importa. O texto de Adriana é forte e pede reflexão à gente.
Ps: Adriana, obrigada pela confiança. Desejo que reencontre a paz.
Ps: Adriana, obrigada pela confiança. Desejo que reencontre a paz.
Relato da dor
Date: Thu, 14 May 2009 16:16:03 +0000
From: Adriana Ataide
To: anabraga.pe@diariosassociados.com.br
Subject: Desabafo de mais uma vítima!
Ana Braga,
Faço um desabafo como cidadã e vítima da violência de Recife.Em 28 de Novembro de 2007, às 16:00hs na av Norte, enfrente ao SESC (sentido bairro/centro) sofri uma tentativa de assalto da qual levei um tiro na cabeça!
Parei no sinal, tinha um carro na minha frente, e ví quando dois indivíduos corriam na minha direção, um deles passou e o outro veio para a frente do carro quando levantou a blusa e eu ví o cano do revólver. Numa atitude instintiva arraquei com o carro, bati no carro da frente e ainda consegui (baleada) dirigir até minha casa, que era na mesma rua onde morava o professor Igor Duque. O carro da frente me seguiu sem entender o ocorrido e com a ajuda de uma visinha minha me socorreram. Me levaram para o Agamenon Magalhães para os primeiros socorros e fui transferida para o Hospital da Unimed, onde recebi o atendimento devido.
Atuamente faço tratamento psicológico no Agamenon Magalhães (Wilma Lessa), acompanhamento neurológico e psiquiátrico. Temo todos os dias pelos meus parentes e amigos. É como se tivessem me levado a liberdade.
Hoje mais uma família foi dilascerada pela violência de Recife. Só quem passa sabe a dor!Mais uma tentativa de assalto, mais uma vítima, mais uma reação instintiva de sobrevivência, pois eu arraquei com o carro não foi por medo de que levassem os meus pertences, mas por medo de que levassem a minha vida, o que acredito que tenha acontecido com o professor quando acelerou o carro.
Somos obrigados a ver uma propaganda na TV, meramente política, dizendo que a violência diminuiu. Diminuiu onde? Na esquina das casas dos políticos que tem policiamento? Só se for, por que vemos todos os dias mais pessoas sendo vítimas e com sequelas gravíssimas, como o caso de um conhecido meu que levou um tiro no ouvido e hoje encontra-se em estado vegetativo, a policial que levou um tiro na cabeça em Abril do ano passado e está no mesmo estado.. e muitos outros casos que não tomamos conhecimento e famílias estraçalhadas pela dor!
Quando isso vai parar? Quando vão ver que a cidade anda refém da criminalidade? Somos livres, porém não temos liberdade, pois saímos e não sabemos se voltaremos para as nossas famílias.
Choro de dor por ter passado, e por ver mais uma família chorando, choro de revolta e de inconformidade.E peço sempre a Deus proteção, e peço também conforto para as famílias que estão passando por essa dor!Deixamos de ser casos isolados!Precisamos fazer alguma coisa!
Adriana
From: Adriana Ataide
To: anabraga.pe@diariosassociados.com.br
Subject: Desabafo de mais uma vítima!
Ana Braga,
Faço um desabafo como cidadã e vítima da violência de Recife.Em 28 de Novembro de 2007, às 16:00hs na av Norte, enfrente ao SESC (sentido bairro/centro) sofri uma tentativa de assalto da qual levei um tiro na cabeça!
Parei no sinal, tinha um carro na minha frente, e ví quando dois indivíduos corriam na minha direção, um deles passou e o outro veio para a frente do carro quando levantou a blusa e eu ví o cano do revólver. Numa atitude instintiva arraquei com o carro, bati no carro da frente e ainda consegui (baleada) dirigir até minha casa, que era na mesma rua onde morava o professor Igor Duque. O carro da frente me seguiu sem entender o ocorrido e com a ajuda de uma visinha minha me socorreram. Me levaram para o Agamenon Magalhães para os primeiros socorros e fui transferida para o Hospital da Unimed, onde recebi o atendimento devido.
Atuamente faço tratamento psicológico no Agamenon Magalhães (Wilma Lessa), acompanhamento neurológico e psiquiátrico. Temo todos os dias pelos meus parentes e amigos. É como se tivessem me levado a liberdade.
Hoje mais uma família foi dilascerada pela violência de Recife. Só quem passa sabe a dor!Mais uma tentativa de assalto, mais uma vítima, mais uma reação instintiva de sobrevivência, pois eu arraquei com o carro não foi por medo de que levassem os meus pertences, mas por medo de que levassem a minha vida, o que acredito que tenha acontecido com o professor quando acelerou o carro.
Somos obrigados a ver uma propaganda na TV, meramente política, dizendo que a violência diminuiu. Diminuiu onde? Na esquina das casas dos políticos que tem policiamento? Só se for, por que vemos todos os dias mais pessoas sendo vítimas e com sequelas gravíssimas, como o caso de um conhecido meu que levou um tiro no ouvido e hoje encontra-se em estado vegetativo, a policial que levou um tiro na cabeça em Abril do ano passado e está no mesmo estado.. e muitos outros casos que não tomamos conhecimento e famílias estraçalhadas pela dor!
Quando isso vai parar? Quando vão ver que a cidade anda refém da criminalidade? Somos livres, porém não temos liberdade, pois saímos e não sabemos se voltaremos para as nossas famílias.
Choro de dor por ter passado, e por ver mais uma família chorando, choro de revolta e de inconformidade.E peço sempre a Deus proteção, e peço também conforto para as famílias que estão passando por essa dor!Deixamos de ser casos isolados!Precisamos fazer alguma coisa!
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segunda-feira, 20 de abril de 2009
A vida no detalhe
Tenho algumas manias. Uma é de ouvir rádio no carro. CBN, na maioria das vezes, porque tem uma e outra informação que acho legal. Outra, de pensar que não existem vidas comuns e cada uma escondre um milagre (isso está no cabeçalho do blog). Pois bem, juntando as duas manias, encontrei uma história emocionamente, que começa no Sertão de Pernambuco. Ouvi uma entrevista sobre uma fundação chamada Make a Wish e pensei que ali tinha coisa. Bingo! Foi publicada no Diario de Pernambuco, no domingo dia 19 de abril, e está reproduzida aí embaixo. Agradeço à família de Ana Flávia Nunes a chance de conhecê-la.
A força do desejo
Foi numa consulta ao oftalmologista, em Juazeiro, na Bahia, que a dura rotina médica de Ana Flávia e família começou. "Minha filha tinha dificuldade na visão. Também tinha uma moleza muito grande. Onde escorava dormia. Também fazia muito xixi porque tinha muita sede e aí bebia muita água. De noite, ela chegava a beber quase três litros de água. E era bebendo e saindo", lembra Ducijane Nunes, de 32 anos, mãe de Ana Flávia. Orientada por uma amiga, Ducijane fez essa primeira viagem, de quase seis horas de carro, já que ainda não tinha conseguido um diagnóstico em Salgueiro. Em Juazeiro, o oftalmologista deu a primeira estocada. "Ele fez todo tipo de exame em Ana Flávia e disse que ela não tinha grau, mas passou exames. Dois dias depois, com a tomografia e ressonância nas mãos, ele falou 'corra, corra, corra, porque essa menina tem um coisa mais séria. Ela tem um tumor na cabeça'", conta. Ana Flávia, à época com 11 anos, ouviu tudo. Era 19 de março de 2008.
Do consultório, Ducijane foi à praça de Juazeiro no mesmo dia. Queria encontrar motivos para acreditar no médico. "Eu fiquei lá perguntando a quem passasse se conhecia o médico. Porque o que era um tumor para mim? Era ter o tumor e morrer. Eu parei umas 15 pessoas na praça e todas só falaram bem do médico", lembra Ducijane. "O médico perguntou aonde eu ia. Eu disse vou embora. Pra onde, ele perguntou. Eu disse Recife, São Paulo, Estados Unidos. Não sei. Então Ana Flávia, que ouvia tudo, falou 'apois eu sei aonde eu quero ir: São Paulo'", relata. Foi voltar à casa em Salgueiro e deixá-la imediatamente. Ana Flávia escolheu São Paulo porque tem parte da família morando na capital paulista. No dia 3 de abril de 2008, mãe e filha desembarcaram em São Paulo para morar na casa de uma tia. Era mais uma viagem ao desconhecido.
Levaram, segundo a mãe, tudo que tinham - a economia feita pelo pai da menina, Manoel Marcondes, caminhoneiro de profissão. As datas, endereços, exames, laudos, lágrimas e boas notícias estão todos na memória de Ducijane. Já no dia em que chegaram, foram a uma das duas consultas com neurocirurgiões, providenciadas pela prima Meire, chamada também de "anjo da guarda". Desse especialista ouviram que a filha tinha um tumor no cérebro e precisaria de uma cirurgia que custaria entre R$ 70 mil e R$ 100 mil. Fora a UTI e a medicação. "Ele falou de um tumor chamado glioma. Quando saí do hospital, vi criancinhas no centro de oncologia e comecei a chorar. Ana Flávia me mostrou o saquinho do exame e disse 'olha aqui a resposta que Deus me deu'", relembra. Estava escrito no envelope: "todo mundo tem uma vida. E toda vida tem uma missão". A missão de Ducijane e Ana Flávia era seguir.
Outro médico falou da mesma cirurgia. Mas ainda não havia o veredicto. A família procurou uma terceira opinião. "Ana Flávia foi consultada no Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (GRAACC), em 18 de abril de 2008. A gente já tinha as imagens e faltava a biópsia. Com esse exame feito, a médica do GRAACC afirmou que não era caso de cirurgia e que Ana Flávia tinha um tumor chamado germinoma e não glioma, igualmente agressivo", recorda Ducijane. Poucos dias depois, em 6 de maio, começava o primeiro dos quatro ciclos da quimioterapia. E deagosto a setembro, foram mais 25 sessões de radioterapia. Em dezembro do ano passado, um exame de acompanhamento trouxe outra má notícia: o tumor saiu do cérebro e apareceu na coluna. "A gente estava programada para passar as férias em Salgueiro. Ela ia de avião com Meire e eu de carreta com o meu marido e minha filha Maria Eduarda", relembra.
Veio mais um ciclo de quimioterapia em 18 de dezembro. "Ela estava muito fraquinha. Teve várias convulsões e ficou em coma na UTI. Saiu exatamente em 31 de dezembro. Passamos o revéillon só nós duas. Foi o momento mais difícil", conta Ducijane. Novos exames, segundo a mãe, dão conta que Ana Flávia não tem mais o tumor. "Em janeiro deste ano, a imagem deu toda limpa", fala. Desde o dia 6 deste mês, Ana Flávia cumpre mais uma parte do tratamento. Mais 20 sessões de radioterapia. Não ter mais o tumor não significa que a vida da menina está fora de risco. "As janelinhas ficam abertas por mais cinco anos", enfrenta.
Durante as conversas com a reportagem, o nome câncer foi pronunciado somente uma vez por Ducijane. A teimosia da mãe com a palavra só não é maior do que a força de Ana Flávia no combate à doença. "O que eu posso dizer às pessoas é que elas nunca conheçam o câncer como uma doença sem cura. Que enfrentem ela primeiro. Esse é o meu desejo desde o primeiro dia", persevera Ana Flávia.
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Tumor raro, mas com chance de cura
O tumor germinoma, diagnosticado na pernambucana Ana Flávia, é considerado raro pela medicina. Mas, tem índice de cura de 90% dos casos. Quando chegou ao Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (GRAACC), em São Paulo, a menina já sabia que o tratamento desse tipo de tumor passa necessariamente por quimioterapia e radioterapia. "A Aninha é muito consciente, muito linda e querida. Ela pergunta as coisas, participa de tudo e a família é muito envolvente", declara a oncopediatra Nasjla Saba, responsável pelo serviço de neuroncologia do GRAACC.
Quando saiu de Pernambuco para São Paulo, Ana Flávia já tinha o tumor. Segundo a oncopediatra, a menina estaria com o germinona há cinco anos. "A mãe me dizia que ela tinha o problema de fazer muito xixi há mais ou menos esse tempo. E isso era porque ela já apresentava um quadro de diabetes insipidus, porque o tumor atingiu justamente o centro hormonal do cérebro. E o problema visual foi porque o tumor também afetou o centro da visão", explica Nasjla Saba. "O germinoma não aparece com frequência. Corresponde a 2% dos tumores do sistema nervoso central que acometem as crianças. Principalmente as que estão em idade perto dos 12 anos. Mas, tem índice de cura de 80%, 90%", afirma. O germinoma é um tumor de células germinativas. Células que deveriam ir para os ovários ou textículos durante a formação do feto, mas que migram para outros lugares.
Os sinais e sintomas do germinoma são, segundo a especialista, dor de cabeça, vômito, hipertensão, perda visual e neuroendocrinopatias, como diabetes insipidus e hipotiroidismo, que atrasam o crescimento e alteram a puberdade. "A família deve prestar atenção e investigar. Nunca deve achar que é normal, principalmente se os sinais são persistentes. O pediatra é o primeiro especialista a ser consultado", alerta a oncopediatra.
Quando saiu de Pernambuco para São Paulo, Ana Flávia já tinha o tumor. Segundo a oncopediatra, a menina estaria com o germinona há cinco anos. "A mãe me dizia que ela tinha o problema de fazer muito xixi há mais ou menos esse tempo. E isso era porque ela já apresentava um quadro de diabetes insipidus, porque o tumor atingiu justamente o centro hormonal do cérebro. E o problema visual foi porque o tumor também afetou o centro da visão", explica Nasjla Saba. "O germinoma não aparece com frequência. Corresponde a 2% dos tumores do sistema nervoso central que acometem as crianças. Principalmente as que estão em idade perto dos 12 anos. Mas, tem índice de cura de 80%, 90%", afirma. O germinoma é um tumor de células germinativas. Células que deveriam ir para os ovários ou textículos durante a formação do feto, mas que migram para outros lugares.
Os sinais e sintomas do germinoma são, segundo a especialista, dor de cabeça, vômito, hipertensão, perda visual e neuroendocrinopatias, como diabetes insipidus e hipotiroidismo, que atrasam o crescimento e alteram a puberdade. "A família deve prestar atenção e investigar. Nunca deve achar que é normal, principalmente se os sinais são persistentes. O pediatra é o primeiro especialista a ser consultado", alerta a oncopediatra.
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Brincar no playcenter
O desejo de Ana Flávia de conhecer um parque de diversões foi feito num pedaço de papel e anotado pela enfermeira do GRAACC, em São Paulo, onde a menina faz o tratamento contra o câncer. Ela será a primeira pernambucana atendida pela Fundação Make a Wish, que existe desde 2003 em 31 países e chegou ao Brasil em outubro do ano passado. "Não tem lista de espera. Todo desejo que entra a gente põe na rua. O da Ana Flávia será realizado assim que os médicos e os pais liberarem", confia a diretora executiva da Make a Wish no Brasil, Lêda Tannus.
"Realizamos desejos de crianças e jovens de três a 18 anos de idade que tenham enfermidades que colocam em risco as suas vidas", observa Lêda. A lista de desejos na Make a Wish é variada. "Ana Flávia quer conhecer o playcenter. Mas já realizamos desejos de conhecer o mar, conhecer jogador de futebol e de ser super-herói. Cada um deles é especial. A gente sabe de casos em que os exames normalizaram e os pacientes recuperaram movimentos", declara.
Apesar de ter a filial em São Paulo, a fundação recebe pedidos de outros estados e até outros países. "Damos assistência a desejos que chegam de fora e também tentamos realizar à distância. Podemos ir a Pernambuco. Basta ter parceiros", afirma Lêda. Parceiros que são desde de voluntários para a equipe de realizadores de desejos até doadores, tanto de mão-de-obra, quanto de dinheiro. A fundação tem o site na internet www.makeawish.org.br. O telefone é (11) 5081-3601.
"Realizamos desejos de crianças e jovens de três a 18 anos de idade que tenham enfermidades que colocam em risco as suas vidas", observa Lêda. A lista de desejos na Make a Wish é variada. "Ana Flávia quer conhecer o playcenter. Mas já realizamos desejos de conhecer o mar, conhecer jogador de futebol e de ser super-herói. Cada um deles é especial. A gente sabe de casos em que os exames normalizaram e os pacientes recuperaram movimentos", declara.
Apesar de ter a filial em São Paulo, a fundação recebe pedidos de outros estados e até outros países. "Damos assistência a desejos que chegam de fora e também tentamos realizar à distância. Podemos ir a Pernambuco. Basta ter parceiros", afirma Lêda. Parceiros que são desde de voluntários para a equipe de realizadores de desejos até doadores, tanto de mão-de-obra, quanto de dinheiro. A fundação tem o site na internet www.makeawish.org.br. O telefone é (11) 5081-3601.
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terça-feira, 24 de março de 2009
O meu vizinho espigão


Meu novo vizinho é um espigão. Aliás, um não. Dois. Estão mudando a paisagem da vizinhança aceleradamente. As fotos acima eu fiz da minha janela. O intervalo entre uma e outra foi 40 dias. O suficiente para tirar o resto da vista do mar, que eu ganhava de presente diariamente, quando entrava pela porta da frente da minha casa. Eu até conseguia ver quando a maré estava cheia e seca. Agora, um antes e depois duro de aceitar. Pensei em registrar o passo a passo da construção, mas desisti de me torturar. E antes que alguém pergunte onde moro, se também não sou uma vizinha indesejável, digo que vivo no 3º andar de um prédio com quatro pavimentos. As próximas fotos do meu vizinho da frente registrariam 21 andares.
A sabedoria do ovo. Ou do povo.

Ps: a foto acima foi feita num restaurante no bairro de Casa Forte. Mas lembro - disso eu lembro - de ver cercas originais pertinho do Recife, na rodovia que perpassa o distrito de Nossa Senhora do Ó (caminho para a praia de Porto de Galinhas), em Ipojuca.
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A língua das mariposas

Ps: o menino Moncho também aprende que o tilonorrico, pássaro australiano, enfeita o ninho com orquídea para atrair a fêmea.
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quarta-feira, 11 de março de 2009
A casinha de adaptação

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O jumento sabido
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quarta-feira, 4 de março de 2009
Poeta em concreto

Poema do amor sem exagero
Eu não te quero aqui por muitos anos
Nem por muitos meses ou semanas,
Nem mesmo desejo que passes no meu leito
As horas extensas de uma noite.
Para que tanto Corpo!
Mas ficaria contente se me desses
Por instantes apenas e bastantes
A nudez longínqua e de pérola
Nem por muitos meses ou semanas,
Nem mesmo desejo que passes no meu leito
As horas extensas de uma noite.
Para que tanto Corpo!
Mas ficaria contente se me desses
Por instantes apenas e bastantes
A nudez longínqua e de pérola
Do teu corpo de nuvem.
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Saiu do mangue, virou gabiru

O flagrante foi feito por Patricia Melo, na Rua dos Navegantes, em Boa Viagem. É uma das principais vias do bairro de IPTU altíssimo. Talvez um dos poucos lugares que ainda guardam uma certa poesia nas pedras portuguesas de algumas calçadas e nas amendoeiras. O homem agachado nas fotos, à beira da vala, tentava desentupir o esgoto. Puxava os restos com as mãos, debaixo da chuva. Descia junto com a água a dignidade do cidadão. Deixo que os poetas Manuel Bandeira e Chico Science falem por mim.
Vi ontem um bicho,
na imundície do pátio
catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Quando achava alguma coisa,
não examinava nem cheirava: engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
O bicho não era um cão,
não era um gato, não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.
(Manuel Bandeira, 1940)
Vi um aratu pra lá e pra cá
Vi um caranguejo andando pro sul
Saiu do mangue, virou gabiru
Oh Josué, eu nunca vi tamanha desgraça
Quanto mais miséria tem mais urubu ameaça.
(Da lama ao caos, Chico Science, 1996)
Estou enfiado na lama
É um bairro sujo
Onde os urubus têm casas
E eu não tenho asas
Mas estou aqui em minha casa
Onde os urubus têm asas
Vou pintando, segurando as paredes do mangue do meu quintal
Manguetown
Andando por entre os becos
Andando em coletivos
Ninguém foge ao cheiro sujo
Da lama da Manguetown
Andando por entre becos
Andando em coletivos
Ninguém foge à vida suja dos dias da Manguetown.
(Manguetown, Chico Science e Lúcio Maia, 1996)
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sábado, 28 de fevereiro de 2009
Nem trocado, nem bolacha


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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Contradições (parte I)


Ps1: legislação para o lixo urbano é que não falta. A principal lei municipal do Recife é a 14.903/86, que dispõe sobre as sanções aplicáveis aos atos ofensivos à limpeza urbana e dá outras providências.
Ps2: A Escola Especial Ulisses Pernambucano atende jovens com alguma deficiência mental. O muro pintado pelos alunos é uma marca do lugar.
Ps3: Ulisses Pernambucano (1892 a 1943) foi o autor da primeira monografia brasileira sobre deficiência mental. A tese tem um título, digamos, curioso: Classificação das crianças anormais: a parada do desenvolvimento intelectual e sua formas; a instabilidade e a astenia mental. Foi publicada em 1918.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
A música da parada
A história com vídeo e tudo (descoberta pela estudante de Jornalismo Talita Arruda no ônibus Setúbal) está no http://www.diariodepernambuco.com.br/2009/02/06/urbana10_0.asp
Foto de Juliana Leitão
De olhos bem fechados
Não poderia deixar de comentar um trecho digamos, cara-de-pau, do papo que ouvi no final da tarde desta sexta-feira entre uma colega da redação e o presidente do Recife Convention & Visitors Bureau, José Otávio de Meira Lins - dono do hotel Marolinda, em Boa Viagem. Era sobre a ocupação dos hotéis, os pacotes, o turismo no Recife e em Pernambuco. Como sou metida na conversa dos outros, sugeri à colega que perguntasse ao hoteleiro e executivo sobre turismo e exploração sexual. Reproduzo o diálogo. A cara-de-pau, deixo claro, é toda dele.
- Ana, ele disse que o turismo sexual não existe mais nos hotéis.
- Ah, não? Então o sexo acontece ao ar livre, na praia, no bar, na boate, nos motéis? E os gringos ficam hospedados somente em pousadas e apartamentos de aluguel por temporada? Quer dizer que o sexo, ou melhor, a exploração sexual pode acontecer em qualquer lugar, menos dentro dos quartos do hotéis? Ele fala isso assim, lavando as mãos?
- Hummm, bom, esse é o discurso oficial, Ana.
- Taxistas, donos de bares, boates, hoteleiros, barraqueiros de praia, ninguém é sujeito do mercado e ninguém tem a ver com o turismo e com exploração sexual? É demais essa, viu?
- Ana, ele disse que o turismo sexual não existe mais nos hotéis.
- Ah, não? Então o sexo acontece ao ar livre, na praia, no bar, na boate, nos motéis? E os gringos ficam hospedados somente em pousadas e apartamentos de aluguel por temporada? Quer dizer que o sexo, ou melhor, a exploração sexual pode acontecer em qualquer lugar, menos dentro dos quartos do hotéis? Ele fala isso assim, lavando as mãos?
- Hummm, bom, esse é o discurso oficial, Ana.
- Taxistas, donos de bares, boates, hoteleiros, barraqueiros de praia, ninguém é sujeito do mercado e ninguém tem a ver com o turismo e com exploração sexual? É demais essa, viu?
Calote da p...! Vergonha do c...!

Coitado do Banco do Brasil? Tenho nem um pingo de pena. Quem mandou não checar o SPC/Serasa, como faz com o cliente miúdo, feito a gente? Não é só o BB que diz levar calote do novo corregedor da Câmara. Documentos obtidos pela Folha de São Paulo mostram que a F. Moreira é alvo de 123 protestos em cartórios de São Paulo, que cobram um valor total de R$ 551 mil. Além disso, a empresa é alvo de inquérito aberto no STF (Supremo Tribunal Federal) contra o congressista. Ele é acusado de descontar o INSS de empregados e não repassar o dinheiro à Previdência, como a Folha revelou ontem. A dívida cobrada em apenas um processo supera R$ 1 milhão.
Por essa acusação, o corregedor-geral foi denunciado pela Procuradoria ao STF. Caso a denúncia seja aceita pelo ministro Eros Grau, Moreira se transformará em réu em processo por apropriação indébita. Coitado do Congresso Nacional? Tenho nem um pingo de pena. Sinto sim uma vergonha danada. Porque a gente fica muda, esperando os "colegas" se engolirem em lobbies, mensalões, escândalos.
Com informações da Folha de São Paulo.
Ps: a imagem uma foto do castelo que o "nobre" Edmar Moreira tem em Itaipava, Minas Gerais. Está avaliado em R$ 20 milhões.
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domingo, 1 de fevereiro de 2009
Quem de nós dois?
Ps: a ponte leva a gente da Rua Marquês de Olinda à Rua Primeiro de Março e ao bairro de Santo Antônio. É primeira de grande porte feita no Brasil e a mais antiga da América Latina. Foi construída entre 1640 e 1643, ano da inauguração.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Da janela eu via
De cima, a chuva.
E da janela eu via
os carros em fila dupla,
andando na contramão.
Quem tinha direito não ia.
Quem errava não percebia
que a vida também é vaivém.
E a todos cobra passagem.
Ps: Cena desta sexta-feira chuvosa. Paisagem à porta de um shopping center do Recife, em dia de promoção.
E da janela eu via
os carros em fila dupla,
andando na contramão.
Quem tinha direito não ia.
Quem errava não percebia
que a vida também é vaivém.
E a todos cobra passagem.
Ps: Cena desta sexta-feira chuvosa. Paisagem à porta de um shopping center do Recife, em dia de promoção.
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segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Balzac e a costureirinha chinesa

Mais sobre o romance, o autor Dai Sijie (que na vida real foi submetido a essa "reeducação") e o filme: http://www.objetiva.com.br/objetiva/cs/?q=node/406
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sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Bloco do eu sozinho

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quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Do caderno de Saramago
Donde?
Janeiro 20, 2009
by José Saramago
"Donde saiu este homem? Não peço que me digam onde nasceu, quem foram os seus pais, que estudos fez, que projecto de vida desenhou para si e para a sua família. Tudo isso mais ou menos o sabemos, tenho aí a sua autobiografia, livro sério e sincero, além de inteligentemente escrito. Quando pergunto donde saiu Barack Obama estou a manifestar a minha perplexidade por este tempo que vivemos, cínico, desesperançado, sombrio, terrível em mil dos seus aspectos, ter gerado uma pessoa (é um homem, podia ser uma mulher) que levanta a voz para falar de valores, de responsabilidade pessoal e colectiva, de respeito pelo trabalho, também pela memória daqueles que nos antecederam na vida. Estes conceitos que alguma vez foram o cimento da melhor convivência humana sofreram por muito tempo o desprezo dos poderosos, esses mesmos que, a partir de hoje (tenham-no por certo), vão vestir à pressa o novo figurino e clamar em todos os tons: “Eu também, eu também.” Barack Obama, no seu discurso, deu-nos razões (as razões) para que não nos deixemos enganar. O mundo pode ser melhor do que isto a que parecemos ter sido condenados. No fundo, o que Obama nos veio dizer é que outro mundo é possível. Muitos de nós já o vinhamos dizendo há muito. Talvez a ocasião seja boa para que tentemos pôr-nos de acordo sobre o modo e a maneira. Para começar".
Ps: copiei o texto do blog Caderno de Saramago, feito pelo próprio prêmio Nobel. O endereço completo é http://caderno.josesaramago.org/
Janeiro 20, 2009
by José Saramago
"Donde saiu este homem? Não peço que me digam onde nasceu, quem foram os seus pais, que estudos fez, que projecto de vida desenhou para si e para a sua família. Tudo isso mais ou menos o sabemos, tenho aí a sua autobiografia, livro sério e sincero, além de inteligentemente escrito. Quando pergunto donde saiu Barack Obama estou a manifestar a minha perplexidade por este tempo que vivemos, cínico, desesperançado, sombrio, terrível em mil dos seus aspectos, ter gerado uma pessoa (é um homem, podia ser uma mulher) que levanta a voz para falar de valores, de responsabilidade pessoal e colectiva, de respeito pelo trabalho, também pela memória daqueles que nos antecederam na vida. Estes conceitos que alguma vez foram o cimento da melhor convivência humana sofreram por muito tempo o desprezo dos poderosos, esses mesmos que, a partir de hoje (tenham-no por certo), vão vestir à pressa o novo figurino e clamar em todos os tons: “Eu também, eu também.” Barack Obama, no seu discurso, deu-nos razões (as razões) para que não nos deixemos enganar. O mundo pode ser melhor do que isto a que parecemos ter sido condenados. No fundo, o que Obama nos veio dizer é que outro mundo é possível. Muitos de nós já o vinhamos dizendo há muito. Talvez a ocasião seja boa para que tentemos pôr-nos de acordo sobre o modo e a maneira. Para começar".
Ps: copiei o texto do blog Caderno de Saramago, feito pelo próprio prêmio Nobel. O endereço completo é http://caderno.josesaramago.org/
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terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Obama no Recife
God bless you, dear president.
Ps: acho que os créditos do grafite são A.R. Florim e Luther Foxy. Se alguém identificar os artistas, pode me corrigir.
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sábado, 17 de janeiro de 2009
Paulinho da Viola, com carinho



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sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Subumano é exclusão
Pensamento de mesa de bar... Leio e releio o guia de O Estado de São Paulo da nova ortografia do português. Continuo achando danado tirar o acento agudo de ideia, por exemplo. Dói mesmo fazer isso. Mas um detalhe entre as regras é mais curioso: subumano, que era sub-humano. A nova norma para hífen diz que a gente não deve usar o sinal gráfico "quando o primeiro elemento terminar com vogal e o segundo começar com consoante, exceto o h". Por que subumano tem uma "lei própria", digamos assim? Subumano é exceção na língua e exclusão na vida.
Ps: SUBUMANO Adj. 1. Que está abaixo do nível humano. 2. Desumano, inumano. Fonte: Larousse Dicionário da Língua Portuguesa.
Ps: SUBUMANO Adj. 1. Que está abaixo do nível humano. 2. Desumano, inumano. Fonte: Larousse Dicionário da Língua Portuguesa.
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Meu vizinho é um espigão
Foto: Ricardo Fernandes, 21 de novembro de 2008.
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terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Geografia da calçada

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A poesia do coronel Leandro
Reproduzo aqui alguns dos emails que troquei com o diretor da Funase (antiga Fundac) do município do Cabo, o coronel Severino Leandro. No último domingo, ele e a equipe comemoraram um ano e sete meses sem rebelião na unidade prisional, que tem 366 internos, quando a capacidade é para 132.
On Mon, 12 Jan 2009 12:29:33 +0300, Leandro wrote
Olá, Ana Braga, é com muita satisfação que recebo seu e-mail. É bem possível desenvolver um tema nesse sentido, pois o escritor Dráuzio Varella, em seu livro Estação Carandiru, fala que o ser humano ao perder a liberdade aflora o sentimento de infantilidade. Ao ser privado de liberdade a auto-estima vai a zero e a família . na maioria das vezes, passa a ser o único reduto e a mãe normalmente torna-se lembrada como pessoa mais importante em sua vida. Na minha Unidade eu valorizo sempre, sempre a figura maternal e tenho obtido resultados satisfatórios. Tenho uma citação de minha autoria : "É porque Deus não quis discriminar as mulheres, mas as lágrimas de sofrimento de uma mãe deveriam ser vermelhas. " Quando estamos em apuros é como se o mundo-útero viesse à tona e a mãe passa a se qualificar como o elemento primordial numa possível recuperação do sser. Um grande abraço. Cel Leandro.
From: Ana Braga (DP)
To: Leandro
Subject: RE: de Ana Braga; Diario de Pernambuco
Date: Mon, 12 Jan 2009 12:05:33 -0300
Cel Leandro, mais uma vez tenho a certeza de que conheci um homem decente e sensível ao humano e suas consequências (sem tremas para seguir a nova regra ortográfica, né?). Voltarei a procurá-lo e a assessoria de imprensa, para produzir essa pauta.
Date: Tue, 13 Jan 2009 03:10:27 +0300
From: Leandro
To: Ana Braga(DP)
Subject: RE: de Ana Braga; Diario de Pernambuco
Olá, Ana Braga. Sempre ao seu inteiro dispor para levar à sociedade notícia de que é possível mudar pessoas. Antônio Carlos - escritor mineiro -, em um de seus livros A Pedagogia da Presença deixa bem claro que é preciso ter a linguagem e se aproximar do sentimento de quem perdeu a liberdade para obter resultados. Nesse último domingo tive a satisfação de comemorar um ano e sete meses sem rebelião na minha Unidade. Devo isso à equipe que faz um trabalho com dedicação e longe do emprego da violência. Costumo dizer que a violência é o argumento dos que não tem razão. Um grande abraço, Cel Leandro.
Ps: deixo aqui um link da matéria Quando Respirar é a Única Liberdade, feita na Funase do Cabo. Foi uma experiência, no mínimo, sufocante. http://www.diariodepernambuco.com.br/2008/11/18/urbana6_0.asp
On Mon, 12 Jan 2009 12:29:33 +0300, Leandro wrote
Olá, Ana Braga, é com muita satisfação que recebo seu e-mail. É bem possível desenvolver um tema nesse sentido, pois o escritor Dráuzio Varella, em seu livro Estação Carandiru, fala que o ser humano ao perder a liberdade aflora o sentimento de infantilidade. Ao ser privado de liberdade a auto-estima vai a zero e a família . na maioria das vezes, passa a ser o único reduto e a mãe normalmente torna-se lembrada como pessoa mais importante em sua vida. Na minha Unidade eu valorizo sempre, sempre a figura maternal e tenho obtido resultados satisfatórios. Tenho uma citação de minha autoria : "É porque Deus não quis discriminar as mulheres, mas as lágrimas de sofrimento de uma mãe deveriam ser vermelhas. " Quando estamos em apuros é como se o mundo-útero viesse à tona e a mãe passa a se qualificar como o elemento primordial numa possível recuperação do sser. Um grande abraço. Cel Leandro.
From: Ana Braga (DP)
To: Leandro
Subject: RE: de Ana Braga; Diario de Pernambuco
Date: Mon, 12 Jan 2009 12:05:33 -0300
Cel Leandro, mais uma vez tenho a certeza de que conheci um homem decente e sensível ao humano e suas consequências (sem tremas para seguir a nova regra ortográfica, né?). Voltarei a procurá-lo e a assessoria de imprensa, para produzir essa pauta.
Date: Tue, 13 Jan 2009 03:10:27 +0300
From: Leandro
To: Ana Braga(DP)
Subject: RE: de Ana Braga; Diario de Pernambuco
Olá, Ana Braga. Sempre ao seu inteiro dispor para levar à sociedade notícia de que é possível mudar pessoas. Antônio Carlos - escritor mineiro -, em um de seus livros A Pedagogia da Presença deixa bem claro que é preciso ter a linguagem e se aproximar do sentimento de quem perdeu a liberdade para obter resultados. Nesse último domingo tive a satisfação de comemorar um ano e sete meses sem rebelião na minha Unidade. Devo isso à equipe que faz um trabalho com dedicação e longe do emprego da violência. Costumo dizer que a violência é o argumento dos que não tem razão. Um grande abraço, Cel Leandro.
Ps: deixo aqui um link da matéria Quando Respirar é a Única Liberdade, feita na Funase do Cabo. Foi uma experiência, no mínimo, sufocante. http://www.diariodepernambuco.com.br/2008/11/18/urbana6_0.asp
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sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
Que trabalho dignifica o homem?
Essa surgiu de uma conversa com Claudemir, motorista do jornal, enquanto a gente "viajava" pela Avenida Agamenon Magalhães, ao encontro do "Sir Pepper" (personagem para um próximo post). Por ironia, aconteceu quase em frente ao prédio do Ministério do Trabalho e Emprego. Eu que puxei o papo com o colega.
- O cara espera o sinal fechar, para oferecer a pipoca. Mas nesse tempo que a gente parou aqui, uns 30 segundos, ele vendeu uma só. Recebeu R$ 5 para tirar R$ 0,50.
- E sabe quanto ele ganha mesmo, Ana? No máximo, estourando, uns R$ 0,10.
- Tu acha, Claudemir? Então ele tem que vender 50 pacotes para ganhar R$ 5, num dia?
- Isso se ele não trabalhar para outra pessoa, Ana. Esses caras maratonistas que correm no sinal vendendo bombom trabalham para outras pessoas, sabia?
- Imagino que sim. Quem compra a mercadoria, né?
- Oxe, pior é o jornaleiro. Tem sorte aquele que consegue vender dez jornais por dia. Em cada um ele ganha uma comissão de R$ 0,30.
- (pensei comigo mesma, resguardando as devidas proporções: pronto, é jornaleiro e jornalista).
Ps: recorri a uma matéria que fiz em 2006, para reforçar o que eu, Claudemir e todo mundo assiste nas ruas. Foi mais ou menos isso: no período de 1995 a 2005, o desemprego da população de jovens com idade de 15 a 24 anos cresceu mais do que nas demais faixas etárias. A Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (Pnad) do IBGE registra que, em 2005, a quantidade de jovens sem emprego era quase 107% superior a de 1995. Para o resto da população, o desemprego foi 90,5% superior nos últimos 10 anos.
- O cara espera o sinal fechar, para oferecer a pipoca. Mas nesse tempo que a gente parou aqui, uns 30 segundos, ele vendeu uma só. Recebeu R$ 5 para tirar R$ 0,50.
- E sabe quanto ele ganha mesmo, Ana? No máximo, estourando, uns R$ 0,10.
- Tu acha, Claudemir? Então ele tem que vender 50 pacotes para ganhar R$ 5, num dia?
- Isso se ele não trabalhar para outra pessoa, Ana. Esses caras maratonistas que correm no sinal vendendo bombom trabalham para outras pessoas, sabia?
- Imagino que sim. Quem compra a mercadoria, né?
- Oxe, pior é o jornaleiro. Tem sorte aquele que consegue vender dez jornais por dia. Em cada um ele ganha uma comissão de R$ 0,30.
- (pensei comigo mesma, resguardando as devidas proporções: pronto, é jornaleiro e jornalista).
Ps: recorri a uma matéria que fiz em 2006, para reforçar o que eu, Claudemir e todo mundo assiste nas ruas. Foi mais ou menos isso: no período de 1995 a 2005, o desemprego da população de jovens com idade de 15 a 24 anos cresceu mais do que nas demais faixas etárias. A Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (Pnad) do IBGE registra que, em 2005, a quantidade de jovens sem emprego era quase 107% superior a de 1995. Para o resto da população, o desemprego foi 90,5% superior nos últimos 10 anos.
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